STEREOBOY – OPO

(PAD02313) CD | DL

OPO, tal como acontece nas etiquetas das malas dos aeroportos, é o selo de uma passagem pela cidade do Porto. Pode ser uma chegada, pode ser uma partida, pode ser até uma escala. Mas é alguma coisa. É um selo, um carimbo, uma marca. Quando Luís Salgado aterrou no Porto há um par de anos estava longe de imaginar que iria ter um disco tingido com as cores e os cheiros da cidade conhecida por ser invicta. Mas o facto é que aconteceu. OPO é isso mesmo: o testemunho de um turista que acaba por, à semelhança do que aconteceu a D. Pedro IV, oferecer o seu coração à cidade que o acolheu de braços abertos. Entre o poema ilustrado que é “Loa ao Porto”, com as palavras de António Manuel Couto Viana na voz de Adolfo Luxúria Canibal, que abre o disco, até à espacialização sonora experimental de “Deep space love” em colaboração com blac koyote, que o encerra, há um conjunto de canções que constroem uma narrativa de cariz electrónico mas de semblante emocional. As histórias contadas em OPO pertencem à memória pessoal de Luís Salgado e de Sofia Arriscado mas podem servir de espelho para quem nelas queira ver o seu reflexo. Estas canções passaram-se no Porto mas podem ter réplicas em Tóquio, Nova Iorque ou Paris. No sentido em que são canções sobre a vida moderna, no sentido em que são transversais à condição humana. Depois de dois EPs, depois da digressão aMor na tua sala, que correu dezenas de casas de norte a sul do país e levou canções intimistas a locais onde cada qual celebra o seu intimismo, o álbum de estreia de Stereoboy é um disco para sair à rua a correr, ver pessoas conhecidas e desconhecidas, esperar para ver o amanhecer, fazer planos para o futuro, desfazer planos para o futuro, cometer erros, começar tudo de novo, deixar tudo para trás, celebrar a misteriosa dinâmica da vida e guardar tudo no disco duro da memória colectiva. Não fosse OPO um disco POP.

André Gomes

////////////////////

Stereoboy is the alias of portuguese musician Luís Salgado, now joined by Sofia Arriscado on a path in which electronic music merges with guitar fuzz to form an interesting kind of pop. It reminds us of the times when “teenager” used to mean wearing over- used jeans, trite t-shirts, dirty sneakers and unkempt hair, recorded tapes leading to re-recorded tapes and garage bands coming from real garages.

Stereoboy’s debut record, OPO, is out now via PAD.



Comments are closed.