LONG WAY TO ALASKA – LIFE AQUATIC EP

(PAD02213) CD | DL

A minha relação com os Long Way to Alaska – e com a música que daquelas almas brota – já leva com alguns capítulos que quase permitem considerar-me numa espécie de perito nas suas melodias.

Tudo começou timidamente, mas desde o primeiro encontro com as músicas do EP de estreia dos LWTA que nunca mais consegui desligar-me do que estes quatro me foram oferecendo, ao longo dos últimos anos.

Os Long Way to Alaska de 2013 já não são os de 2009. Disso, não há dúvidas. Se, no pas- sado, eram capazes de amansar a besta mais inquieta, hoje são ainda mais do que exímios em passar a mão no pêlo. Isto ao mesmo tempo em que se ensaia um pé de dança maroto.

A curiosidade que recaiu sobre este novo trabalho foi imensa. Afinal, de que forma pode- riam os LWTA continuar um trabalho tão esplendorosamente iniciado com “Melodies to Greet Sunrise and Feed Sunset” e prolongado por um disco de debute “Eastriver”? Falamos aqui de discos que os levaram a calcorrear e a fazer sonhar este cantinho banhado pelo Atlântico e pelo Mediterrâneo com possíveis trilhos para terras longínquas.

Somente quatro músicas. Quatro músicas que servem, unicamente, para nos mostrar aquilo que os quatro andaram a cozinhar nos últimos tempos. é um caminho sinuoso (mas gratificante) que nos oferece “The Life Aquatic EP”, um autêntico mantra para dias soal- heiros, para manhãs acompanhadas por limonadas caseiras. “The Life Aquatic EP” faz-nos perceber que, muitas vezes, o destino é menos importante do que o próprio trilho para lá chegar.

Dizem que hoje, 25 de Março de 2013, é o dia de mais temporal do ano, mas isso pouco interessa quando se tem como companheiro de viagem um disco que obriga ao loop con- stante, numa tentativa mais do que bem conseguida de afastar o mau tempo, o mau olhado e a má sorte.

Discos destes são mais do que uma colecção de temas: são talismãs, que nos deixam a salvo de qualquer tentativa exterior de destabilização.

Corro o EP de uma ponta a outra e, de repente, a chuva que se faz sentir lá fora deixa de ter importância, porque depois da tempestade haverá sempre a bonança. é isso que me dizem os Long Way to Alaska.

E, depois de correr por “Air”, King Of Your own (aqui acompanhados por Miguel Nicolau dos Memória de Peixe), “Aquatic Brotherhood” e “Beacon Fire”, não poderia deixar de concordar e de acenar positivamente a tudo o que me contam: uma ode ao sonho, à sau- dade, à esperança no amor.

Por mais lamechas que possa parecer/soar isso pouco me importa, pois sei que com este mel no coração poderei bradar bem alto que tudo é possível. Para isso, basta recorrer à atitude certa – não sei qual esta será, mas sei que a banda sonora passa, de certeza, pelas quatro músicas que compõem “The Life Aquatic EP”.

Não deixo de sentir que esta é a ponte para o futuro risonho dos Long Way to Alaska. Aqui, o destino pouco importará, já que o caminho faz-se destas pérolas, destes pedaços de sonho. Tudo o que vier por aí nos próximos tempos será sempre por acréscimo à vida pequena (mas terna) destes quatro cavalheiros.

Joaquim Durães

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With a 4 song “Melodies to Greet Sunrise and Feed Sunset” EP, Long Way To Alaska cre- ated a small but enthusiastic hype in late 2009, typical of indie societies of today. With its debut record “Eastriver”, LWTA’s natural habitat, of luminous and melodic pop, has developed its fruits and is prepared to pick them up, with deserved credit. What we can hear in this record are 10 simple but efective, perfectly sculptured songs of rich textures. It’s wise to recommend such songs as “Long Beach Palm Trees” and “United Colours of Patapon” for its infinity of melodic resources and freshness. After a one year hiatus, the band comes up with Yonder Year, a one song release that settles a turning point to their music.

In 2013 the band comes back with “Life Aquatic EP” to be released in April, matching their melodies with a new clothing, sound and energy. Take care for the way to Alaska is long.



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